No segundo programa da trilha Diversidade do NauCast o tema foi Comunicação para a Diversidade. A conversa reuniu a jornalista e assessora de Diversidade do Governo do Estado do RS, Carol Anchieta e o Publicitário, responsável pelo Marketing do Nau, Rafael Bernards, mediados por Mariana Ferreira dos Santos, advogada, ativista social e Líder do Núcleo Porto Alegre do grupo Mulheres do Brasil.

Na pauta do encontro esteve o debate sobre como as empresas podem se comunicar de uma forma mais diversa refletindo melhor os recortes de raça, gênero e orientação sexual. Segundo dados de 2018 da Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação), 63% das posições no setor de TIC são ocupadas por homens e 37% por mulheres. Nos cargos de diretoria e gerência, o número de mulheres cai para 35%.

E ainda nesse mesmo recorte, apenas 13,8% das pessoas são autodeclaradas pretas; 0,1% indígenas; 26% pardas e 57% brancas. Falando pela comunidade negra, Carol reflete que ainda existe um imaginário da inclusão muito limitado. “Claro que é importante que os veículos de comunicação, por exemplo, que é de onde venho, tenham a coerência de que é importante empregar pessoas negras. Mas, além disso, é preciso que preparem seus profissionais para compreender a diversidade. Priorizar a presença diversa nas empresas é zelar pelos direitos humanos”, defende.

Ela alerta para a importância de não atrelar isso a questões de posicionamento politico partidárias. “Antes de tudo temos que conhecer os direitos humanos para zelar por eles. Existem muitos comunicadores negros se formando a cada semestre que querem uma oportunidade nas grandes empresas de mídia. As redações estão cheias de mulheres, mas nos cargos de editora-chefe ainda são poucas”.

Quando a Diversidade é olhada do ponto de vista da comunidade LGBTQIA+, o cenário não é muito diferente. Rafael trouxe algumas de suas vivências profissionais em empresas e indústrias no mundo corporativo, em que ele observa que pessoas ainda tem dificuldade de encontrar seu espaço e ter voz para se posicionar, pois ele também demorou para encontrar o seu espaço.

“O mercado está em desenvolvimento. As portas estão se abrindo com o passar do tempo. Observo que na universidade temos uma boa abertura e os profissionais de comunicação estão sendo preparados para trabalhar com a diversidade, mas quando eles atuam para outras áreas como direito, saúde, isso se perde um pouco”.

Carol reforça que ninguém é obrigado a saber tudo sobre as questões da negritude ou da comunidade LGBTQIA+. “Mas quando a gente se coloca no lugar de escuta e ação pela transformação, a gente consegue fazer a diferença. E isso só muda quando acontece o tempo todo”.

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